por Jornal O Estado de São Paulo/Gilles Lapouge,
em 17/05/212
O euro vai mal. Registrou uma queda em relação ao dólar, valendo agora US$ 1,2696. Desde as eleições gregas, no dia 6 de maio, a moeda única europeia perdeu quatro centavos. Não é uma queda catastrófica. Ela agrada os exportadores, prejudicados com o vigor do euro em relação ao dólar ou ao iene. Mas na realidade o recuo da moeda é sinal da péssima saúde da União Europeia e da zona do euro.
Os especialistas, claro, culpam a Grécia por essa debilidade do euro.
Esse país se dirige irremediavelmente para o abismo e atrai todos os seus parceiros europeus para baixo. De fato, é toda a Europa que se afunda no marasmo. Os últimos dados publicados pelo Eurostat são consternadores para a União Europeia e em especial para a zona do euro.
No primeiro trimestre de 2012, os 17 países que adotaram a moeda comum tiveram um crescimento nulo. Zero.
É verdade que o desempenho foi melhor do que no ano passado, quando o recuo foi de 0,3%. Mas todos os presságios eram de que o ano de 2012 seria o da retomada. A crise não seria mais do que uma triste lembrança. Mas não! A crise não é uma lembrança. Está em "plena forma".
E causa estragos.
Examinando mais de perto os dados, descobrimos uma outra razão de inquietação.
A zona do euro, essa entidade cujo objetivo é reunir as economias discrepantes do Velho Continente, está dividida em duas zonas: ao norte, os "virtuosos", com a Alemanha e a Finlândia, que prosseguem sua marcha para a frente. Ao sul, os "estropiados", Grécia, Itália, Portugal, Espanha, todos em recessão.
Entre essas duas zonas, e em igual distância uma da outra, a França, que registrou um crescimento nulo.
Esses resultados são angustiantes. Como relançar a máquina europeia se todos os indicadores estão no vermelho?
Mas há ainda pior: o instrumento que deveria permitir unificar pouco a pouco o nível de vida, as atividades, as trocas comerciais, das duas metades da Europa, a do norte e a do sul, mostrou-se incapaz de cumprir sua missão. Sem a moeda única, os países do sul capotam. E com a moeda única eles capotam da mesma maneira.